quarta-feira, 4 de julho de 2012

Das Castas ao Encaste


No dia 19 de Março de 2012 foi publicado no blog Toiros & Açores um artigo com o título de “Origem do Toiro de Lide - Castas Fundacionais/ Fundadoras”. Como indica o nome do artigo, o tema era a origem do toiro de lide alicerçada sobre algumas populações de bovinos, às quais são designadas de castas fundacionais ou fundadoras.

Ao longo dos últimos 250 ou 300 anos, a partir das castas fundadoras da raça Brava de Lide, a criação de bovinos bravos promoveu um grande avanço genético que deu origem a uma diversidade de famílias ou linhas, designadas por encastes, que são claramente divergentes não só em caracteres morfológicos mas também em caracteres de comportamento (Cañón et al., 2005).

Segundo o Real Decreto 2129/2008, de 26 de diciembre do programa nacional espanhol de conservação, melhoramento e fomento das raças ganadeiras, entende-se por encaste, como a população fechada de animais de uma raça, que se desenvolveu à base de isolamento reprodutivo, sempre com determinados indivíduos dessa raça, sem a introdução de material genético distinto, durante um período mínimo de cinco gerações. Por sua vez a associação de criadores de toiros de lide espanhola, Unión de Criadores de Toros de Lidia considera que um encaste estará constituído para populações, ganadarias, de origem genética conhecida que se mantiveram isoladas do resto dos encastes por um período de tempo mínimo de 30 anos e que se caracterizam, ou diferenciam-se do resto dos encastes ao nível morfológico e comportamental (Cañón et al., 2005).

As características de um encaste podem estar associadas a uma diversidade de factores, nomeadamente:
·         A origem em função da casta fundacional ou fundadora;
·         A origem em função dos encastes fundadores;
·         Utilização de critérios de selecção específicos de cada ganadeiro;
·         Selecção em função da evolução do toureio;
·         O grande isolamento reprodutivo entre ganadarias, isto é, evitar que os indivíduos de uma ganadaria se cruzem com animais de outras ganadarias.

Segundo Lima (2005) o conhecimento dos encastes, ou estirpes do toiro de lide tem especial importância para a compreensão do comportamento dos animais no momento mais crucial da sua vida, a lide.

O facto de os encastes serem bastante divergentes nas suas características, tem especial importância para a compreensão das diferenças dos caracteres morfológicos e/ou de comportamento que definem o toiro de lide, entre animais de uma ganadaria, entre ganadarias e entre encastes.

Na imagem um toiro, da ganadaria portuguesa de Maria Guiomar Cortes Moura na praça de toiros do CNEMA em Santarém no ano de 2007. Os animais desta ganadaria são de encaste Murube. Geralmente os animais deste encaste atingem facilmente os 600 kg de peso vivo, predomina a pelagem negra e tem um galope extremamente cadenciado.

Baseado em:
·         Cañón, J; Fernández, J; Cortés, O; Garcia, D; Atance, M; Dunner, S. (2005). Estudio de los encastes y ganaderías utilizando marcadores de ADN. VII Congreso Mundial de Ganaderos de Toros de Lidia. 26 pp.
·         Lima, A. (2005). Alguns Equívocos da Historia do Toiro e do Toureio. Revista Festa na Ilha nº 9, 4-5 pp.
·         Montesinos, A. (2002). Prototipos Raciales del Toro de Lidia . Ed. Ministerio de Agricultura, Pesca y Alimentación, Madrid.45-90 pp

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