Texto e fotografia: Pedro Correia
Já coloquei esta fotografia no blog à disposição
dos visitantes de Toiros & Açores e teço por ela um valor simbólico, de
acordo com algo que já escrevi neste espaço da internet referente à mesma
imagem. Acontece que, escrevemos, publicamos, meses depois voltamos a ler e no
fim de contas dizemos: - Escrevi isto desta forma? Será possível? Realmente
como já aqui escrevi em outra oportunidade, não me considero grande escritor e
por ler o artigo que falo, confesso que fiquei desiludido e por isso tentei reescrevê-lo.
Também, no meio de uma conversa sobre toiros com o meu colega e amigo Diogo
Coelho, este perguntou-me:
- Mas tu não comentas as fotografias? E
em seguida respondi prontamente:
- Já o fiz e não o tenho feito
ultimamente, mas não é mal pensado voltar a fazê-lo!
Por isso aqui cá está a ocasião, a
partir de hoje lanço outro espaço no blog designado “Pelos Sonhos do Toiro”, destinado
a artigos em que a própria fotografia é comentada, pela sua imagem, pelo
momento, ou por aquilo que o autor enxerga como transmissão de uma mensagem através
da fotografia.
Aqui vai então o artigo que reescrevi:
Durante o meu processo de formação
académica, sempre que possível dediquei-me ao estudo do toiro bravo. Já antes
da licenciatura tinha realizado alguns estágios em ganadarias bravas na ilha
Terceira e curiosamente, a tendência foi de os efectuar nos meses em que o
clima é mais agreste no interior da ilha - “O Mato”.
Em fase terminal da licenciatura,
regressei aos campos da ganadaria de Rego Botelho, para ai efectuar o estágio
final desta etapa de formação académica. Sempre com a máquina do meu lado para
registar aspectos de natureza técnica da lavoura e da criação do gado bravo na
nossa ilha. No entanto, sempre que podia tentava captar fotos que não fossem
meros registos. Para se conseguir uma foto desse tipo, é necessário tempo e
paciência para jogar com as condições que temos disponíveis enquanto
fotografamos! Contudo, fotografar animais, como o gado bravo, no interior da
ilha com a nebulosidade dos meses de Janeiro, Fevereiro ou Março, não se torna
tarefa fácil, muito menos com uma máquina de tipo bridge, muito limitada em relação às máquinas reflex conhecidas pelo público em geral pelas máquinas de fotógrafos
profissionais.
Num dia típico de inverno na Caldeira
Guilherme Moniz, com a erva das pastagens alagada da chuva e miúda do frio
devido à falta de insolação, vi este semental de idade avançada no seio de uma
ponta de vacas de encaste Domecq de fina estampa. Os anos que o semental levava
em cima em nada lhe retiravam a sua imponência. Depois de deixarem no chão a
silagem e ração, dirigiu-se ao alimento com uma serenidade cabal, que só o
toiro bravo tem, desprezando por completo a minha presença. Palavras! Para quê?
Um autêntico senhor do campo bravo de vida feita, de provas dadas e um momento
ideal para fotografar, em tão curto de espaço de tempo.
De máquina em punho e sem hesitar
disparei para este senhor toiro com as pontas dos seus cornos arredondadas e o
pêlo da cabeça encaracolado, características que acentuavam a idade avançada
deste exemplar de ferro Jandilla. O seu olho esquerdo fechado, devido à
impossibilidade de ver, possivelmente causado por uma luta com outros toiros,
ou por processos de ordem patológica, ou até algum acidente de maneio, dava a
este exemplar um aspecto de um velho gladiador que passa os últimos dias da sua
vida num autêntico paraíso.
São estas as poucas palavras que posso
utilizar para descrever o que se vê na fotografia e aquilo que senti por
instantes, que só o nundo do toiro bravo tem a possibilidade de os criar. O
momento fica aqui descrito e partilhado convosco através desta fotografia à
qual lhe intitulei de Poder Sereno.
Fiz várias fotos deste semental da
ganadaria de Rego Botelho, que pelo que soube através da internet ostentava no
costado o número 126. Destaco duas fotos deste toiro, ambas já publicadas no
blog Toiros & Açores. A primeira com o título de “O Velho Semental” e esta
tirada a cerca de três metros deste senhor soberano da sua vacada.

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